O ORFANATO QUE VIROU DO AVESSO

*republicando daqui http://tilz.tearfund.org/pt-PT/resources/publications/footsteps/footsteps_101-110/footsteps_101/the_orphanage_that_turned_inside_out

por Rebecca Nhep

A mensagem de que o acolhimento residencial a longo prazo não constitui o melhor interesse dos órfãos e das crianças vulneráveis está se espalhando. Como resultado, muitos orfanatos ao redor do mundo estão se transformando em centros que oferecem serviços de fortalecimento familiar e comunitário. Esse processo é muitas vezes chamado de “transição”. Rebecca Nhep, diretora da ACC International Relief, descreve como essa mudança pode ocorrer.


Crianças em um programa para crianças com menos de cinco anos, em Mianmar. Os orfanatos podem fazer uma transição para a prestação de serviços comunitários, como este. Foto: Alice Keen/Tearfund

Mudança na maneira como prestamos assistência

Se você apoia ou dirige um orfanato ou centro de acolhimento infantil, a ideia de fazer uma transição para um programa familiar e comunitário pode ser muito assustadora. Ela suscita muitas perguntas, como: “Em que consiste uma transição?”, “Como posso ter certeza de que as crianças estarão seguras e receberão bons cuidados em uma família?”, “O que acontecerá com a educação ou religião da criança?, “O que meus doadores acharão?”, “O que acontecerá com nosso prédio, se não houver crianças vivendo nele?” e “O que restará do meu ministério quando não formos mais um orfanato?”

Às vezes, essas perguntas e preocupações parecem ser obstáculos que nos impedem de mudar. No entanto, com um bom planejamento, o apoio certo e processos bem desenvolvidos, você pode garantir que a transição seja eficaz e segura para as crianças. Além disso, na verdade, você verá seu programa ou ministério crescer em alcance e sucesso.

O programa Kinnected, da ACC International Relief, ajuda organizações locais e internacionais na transição de seus programas de acolhimento residencial. Ao longo dos últimos seis anos, trabalhamos com mais de 60 centros de acolhimento residencial, em 11 países diferentes.

A história do Pastor Myint Nwe mostra alguns dos passos-chave da transição. Este é apenas um exemplo de como o processo pode funcionar.

Perceber a necessidade de mudar

O Pastor Myint Nwe é o diretor da Caring and Loving Children (CLC), uma organização comunitária de Mianmar. Ele já foi responsável por cinco centros de acolhimento residencial espalhados pelo país. Muitas das crianças dos centros tinham parentes vivos, mas haviam sido encaminhadas à organização por motivos de pobreza extrema, morte de um ou ambos os pais ou outra situação de crise.

Ao longo do tempo, o Pastor Myint viu que o acolhimento residencial não é o ideal para as crianças. Ele percebeu que, sempre que possível, as crianças devem estar em uma família. No entanto, ele não era um especialista e não possuía os conhecimentos necessários para guiar os centros pelo processo de transição e reintegrar as crianças na comunidade. Assim, o Kinnected aceitou apoiar e orientar a CLC em sua transição para o acolhimento familiar.

Ponto a salientar: Estar convencido da necessidade de mudança é essencial.

Preparação dos participantes-chave

Primeiro, o Kinnected ajudou a CLC a pensar em preparar participantes-chave antes de fazer mudanças significativas. Estes incluíam doadores, membros do conselho diretor, funcionários, líderes comunitários e funcionários do governo local.

Ponto a salientar: é importante educar todos os envolvidos sobre a necessidade de transição para o acolhimento familiar e como ela pode ser feita. Enfatizar os benefícios para as crianças pode ajudar a convencer as pessoas.

Desenvolvimento da capacidade

O próximo passo que o Kinnected tomou foi desenvolver e fortalecer a capacidade do Pastor Myint como líder da CLC. Começando em 2013, ele fez uma visita de campo para se encontrar com outro parceiro do Kinnected que fazia um trabalho de fortalecimento familiar em um contexto semelhante. Isso o ajudou a perceber por si mesmo os benefícios de reunir as famílias, providenciar colocações em famílias de acolhimento ou com parentes e entrar para redes de pares.

Ponto a salientar: É importante que os líderes de orfanatos imaginem como seria a transição na sua comunidade. É provável que eles precisem de treinamento adicional em tópicos como proteção infantil, desenvolvimento infantil, gestão de casos, acolhimento familiar e monitoramento e avaliação. Eles devem criar vínculos com departamentos governamentais e outras organizações que trabalham com o bem-estar infantil para poderem trabalhar bem juntos.

Planejamento para a transição

Juntos, o Kinnected e a CLC desenvolveram um plano para a transição da organização. O plano incluía escrever sua missão, visão, pontos fortes, direção e metas futuras, resultados a serem medidos, atividades, recursos e áreas onde a CLC precisava aprender ou adquirir experiência. O Kinnected treinou os funcionários da CLC para garantir que eles apoiariam o processo e teriam o conhecimento e as habilidades certas.

Ponto a salientar: é vital desenvolver um plano de transição detalhado para a instituição. É importante contratar assistentes sociais e garantir que eles tenham as habilidades certas. Os profissionais podem precisar de treinamento em como trabalhar com crianças vulneráveis e seus cuidadores. Os tópicos podem incluir levantamento, avaliação, localização de familiares (maneiras de encontrar os parentes das crianças) e mapeamento dos serviços disponíveis.

Etapas da transição

Sempre que possível, o Pastor Myint rastreava os familiares das crianças sob seus cuidados. Ele e sua equipe, então, analisavam sua adequação e disposição para oferecer o acolhimento adequado.

O Pastor Myint sabia que a pobreza era o motivo pelo qual algumas das crianças haviam sido colocadas nos centros de acolhimento institucional. Assim, ele ajudava os familiares a iniciar pequenos negócios, como alfaiatarias, mercearias e criação de animais. As famílias também podiam ser vinculadas a sistemas de apoio ou outros serviços comunitários.

O Pastor Myint começou com três orfanatos onde a igreja doadora tinha grande interesse em fazer a transição. Havia um total de 53 crianças nestes centros. Até agora, ele já reintegrou duas crianças de volta em suas famílias biológicas e 22 com parentes. Dois outros adolescentes mais velhos passaram para uma a vida semi-independente.

Ponto a salientar: É importante manter as crianças seguras ao longo do processo. As famílias devem ser devidamente avaliadas antes de receberem uma criança. Reintegrar as crianças em sua família original é o ideal, mas se isso não for seguro ou adequado, devem-se explorar outras opções. Estas podem incluir o acolhimento por parentes, famílias de acolhimento e adoção.

É desenvolvido um plano de assistência com cada criança e para cada criança, destacando o que precisa ser feito para prepará-la para o acolhimento. Depois disso, é criado um plano de apoio familiar. O plano faz uma lista das mudanças e apoio necessários para permitir que a criança e a família façam uma transição bem-sucedida.

O Pastor Myint e o assistente social da CLC monitoram regularmente todas as crianças que foram colocadas em famílias. O processo de monitoramento torna-se menos frequente ao longo do tempo nas colocações que estão funcionando bem, até que o caso da criança seja encerrado. Este processo leva pelo menos 12 meses, às vezes, mais. O monitoramento é feito pessoalmente, às vezes com telefonemas entre as visitas (especialmente no caso de crianças em áreas remotas). Se as visitas revelarem a necessidade de apoio adicional, os assistentes sociais organizam a ajuda necessária.

Ponto a salientar: Depois que as crianças são reintegradas em suas famílias, o monitoramento é vital para garantir que a colocação seja estável e a criança esteja segura.

A CLC já fechou completamente seu primeiro orfanato. O orfanato fez uma transição para clínica de saúde familiar e centro de aprendizagem comunitária. O centro oferece treinamento profissionalizante, que ajuda os membros da comunidade a encontrar emprego ou iniciar seus próprios pequenos negócios. Isso pode ajudar, antes de tudo, a prevenir o colapso da família.

O Pastor Myint também criou um serviço de emergência de acolhimento para oferecer acolhimento temporário às crianças abandonadas ou abusadas. Essas crianças são encaminhadas pela polícia local ou pelos líderes comunitários. O Pastor Myint e seu assistente social, então, iniciam o processo de rastreamento familiar e avaliações. Eles procuram encontrar uma colocação familiar adequada e segura para a criança, através de reintegração familiar, acolhimento por parentes ou famílias de acolhimento.

Ponto a salientar: Quando os centros de acolhimento residencial fazem a transição, os prédios e recursos podem ser usados para prestar serviços de fortalecimento familiar e comunitário.

Parcerias

O Pastor Myint agora é um defensor do acolhimento familiar e compartilha suas experiências com outros diretores de orfanatos. Ele faz parte do grupo de trabalho de assistência alternativa em Mianmar.

Rebecca Nhep é co-Diretora Executiva e Chefe de Programas Internacionais da ACCI Relief.

Site: www.kinnected.org.au
E-mail: info@kinnected.org.au
Endereço: 5/2 Sarton Road, Clayton, Victoria 3168, Austrália
Telefone: +61 3 8516 9600

Este artigo foi parcialmente adaptado a partir do documento Replicable models for transition to family-based care (Modelos replicáveis para a transição para o acolhimento familiar) da CAFO. Veja www.cafo.org/resource/replicable-models-for-transition-to-family-based-care

O Injusto Ainda te Assusta?

presidio bolivia
Presídio na Bolívia

Era Abril ou Maio de 2012. Dois seminaristas se preparavam com muita ansiedade para o próximo estágio de inverno que fariam juntos. Seria o primeiro internacional ou trans-cultural para os dois. O estágio seria com um ex-aluno do mesmo seminário que agora servia a Deus na Bolívia.

Finalmente o dia do embarque chegou e os dois partiram com bastante entusiasmo nas suas bagagens. Conheciam o missionário e sabiam que sua ênfase no campo era o tra-balho evangelístico através do esporte. Por três semanas iriam trabalhar com uma escolinha de futebol que também discipulava aqueles garotos de 6 a 14 anos.

Chegando a Puerto Suarez a impressão foi a melhor (apesar da grande pobreza, ruas de terra, pessoas de olhar desconfiado e triste). O trabalho começou logo, o primeiro contato com os meninos da escolinha foi excelente, outros trabalhos haviam para ser feitos (com a igreja local, no próprio bairro e no presídio).

Enfim chegou o dia de irem ao presídio. A carceleta de Puerto Suarez é pequena e abriga apenas algumas dezenas de presos. No caminho para o cárcere começaram a ser informados sobre a realidade interna, então vem o grande baque: ‘eu já disse pra vocês que tem crianças que moram no presídio?’ – foi o que questionou o missionário.

Como assim? Quem são essas crianças? Qual idade? Não existe FEBEM aqui na Bo-lívia?
Todas essas são perguntas normais, mas o choque maior vem com a informação: ‘eles não são menores infratores, simplesmente vivem lá porque os pais estão presos’.

O assunto é interrompido momentaneamente pela chegada ao destino, mas tão logo eles saem do presídio o assunto é recomeçado e o missionário compartilha das ações que já vinha executando e das que sonhava: ‘queria fazer um orfanato para tirar essas crianças de lá’. Essa frase ecoa até hoje e reverbera com a afirmação: ‘meu sonho é que não mais hou-vesse crianças em presídios bolivianos’.

Foi assim que eu conheci essa realidade a mais de três anos. Desde então a Expedi-ção Mochila conseguiu iniciar um orfanato e fez com que Puerto Suarez fosse a primeira (senão a única) cidade boliviana que não tem crianças encarceradas.

Depois desses anos parece que a notícia não agride mais meus ouvidos como na primeira vez. Mas a injustiça deve deixar de assustar? Como cristãos também devemos ser promotores de justiça e sabemos que crianças que tem liberdade tolhida pelo erro de seus pais certamente não é uma situação justa. Puerto Suarez tem apenas um pequeno presídio, quantos outros há em toda Bolívia? Números oficiais atestam que milhares de crianças vi-vem presas em todo o país. Isso te assusta? A injustiça te assusta? Eu e você podemos ser parte da promoção social no mundo.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.” | Mateus 5.6

Samuel Stroppa
Pastor na Igreja Batista Central de Campinas – SP
Cooperador EM

[repost] Podcast irmaos.com #273: A Bolívia e seus bolivianos

BoliviaAmigos, tivemos a alegira de participar do podcast irmaos.com com Paulinho, Sinval Jr e Lissander, ouçam para conhecer um pouco mais sobre a Bolívia e sobre nosso trabalho aqui no orfanato.

Quero agradecer ao Paulinho pela ótima oportunidade de podermos contar para toda a sua audiência sobre os desafios missionários com as crianças nos presídios bolivianos.

Link do podcast em irmaos.com: http://www.irmaos.com/podcast/index.php?id=14049

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Valeu

Ricco

8 dicas para quem for visitar um orfanato

orfanato bolivia

Minha pequena experiência nesses quase três anos de orfanato, cuidando das crianças, lidando com a equipe e recebendo visitas, me ensinou algumas coisas.

Você vai visitar um orfanato? Então anote estas 8 dicas:

  1. Pergunte à equipe do ela precisa, e não às crianças.

Antes de ir, pergunte do que o orfanato precisa. Brinquedos, roupas e doces normalmente são as coisas menos úteis e necessárias. Pense em coisas como alimentos base (frutas, leite, achocolatado, óleo, feijão), materiais de limpeza e higiene pessoal, material escolar, livros para colorir ou para desenhar e lápis de cor ou giz de cera, jogos educativos.

Pense também em doar dinheiro. Ao ajudar a pagar a conta de luz, água, salário da equipe, você estará fazendo um bem enorme às crianças.

  1. Não use a vida das crianças pobres para fazer seu filhos dar valor à vida de fartura.

Leve seu filho para o orfanato e deixe-o se envolver com as crianças e conhecer a realidade delas, depois converse com ele de maneira honesta sobre os problemas que todos podem enfrentar na vida.

Não vá a um orfanato somente para:

  • dizer ao seu filho que ele deve comer tudo porque tem comida boa e as crianças do orfanato não têm;
  • que seus filhos devem obedecê-lo porque têm pai e mãe em casa, e crianças de orfanato não têm;
  • que devem estudar mais porque estão em um bom colégio e as crianças do orfanato não.
  1. Esqueça seu celular e não pense nas fotos que você gostaria de postar no Facebook ou Instagram.

Muitas pessoas que vão a um orfanato simplesmente esquecem de curtir as crianças, pensam apenas nas fotos do “bem” que serão postadas e curtidas nas redes sociais.

A cada dois minutos, tiram dez fotos fazendo poses ao lado das crianças que são obrigadas a sorrir e dar beijinhos para o seu click. O melhor a fazer é deixar seu celular em casa ou na bolsa, esqueça as fotos, aproveite o tempo com as crianças, conversando, jogando bola, ajudando na lição de casa, arrumando seu armário de roupas, cortando suas unhas.

No final, talvez, você tire uma foto com a galera toda (apenas uma), para registrar que você esteve ali.

E depois disso, de preferência, não poste essa foto, apenas a guarde com você e leve os melhores momentos na mente e no coração e não no chip do celular.

  1. Não prometa o que não pode e não vai cumprir.

É comum que as pessoas pensem que a melhor maneira de expressar seu amor e carinho por uma criança é dizer-lhe que vai levá-la para casa.

Perguntar para uma criança do orfanato se ela gostaria de ir embora com você é a pior coisa que ela pode ouvir:

  • Em primeiro lugar, porque muito provavelmente você não vai cumprir, às vezes, nem pode.
  • Em segundo, porque você está dizendo a ela que o local em que ela está não é tão bom quanto se ela estivesse com você em sua casa. Em vez disso, diga coisas que valorize a criança no lugar em que ela está; por exemplo: “que bom que você mora aqui”; “que bom que tem tios que cuidam de você tão bem”; “que legal é sua casa e seu quarto”; “como é gostosa a comida aqui”.
  1. Entenda que o orfanato não é o ideal para a criança, mas o fato é que se ela não estivesse ali poderia estar em situação de risco.

Um orfanato é um lugar de resgate. E ninguém é resgatado de uma situação boa, se ela está ali é porque algo deu errado em sua vida logo no início de sua caminhada neste mundo. O orfanato não é um lugar ideal para as crianças, bom mesmo seria se ela estivesse com a própria família, seja a original, a estendida ou a que a adotou.

O orfanato é um lugar de resgate para cuidar, amar e tentar fazer de sua infância uma vida melhor. O fato é que se ela não estivesse ali, seria muito pior.

Não vá a um orfanato como quem vai a um passeio no zoológico, museu, ou parque de diversões. Para você, é uma visita ao “orfanato”; para a criança, é a casa dela.

Ore antes de ir para que Deus o use de maneira a abençoar aquelas vidas ali. Ore para Deus dar-lhe um pouco do sentimento que elas têm de viver em um orfanato.

Assim, sua relação com as crianças e a maneira de enxergá-las vai melhorar bastante.

  1. Valorize toda a equipe de trabalho de um orfanato.

Normalmente, jogamos confetes nos missionários “super-heróis” e esquecemos de reconhecer a extrema importância da equipe de cozinheiras, camareiras, limpeza e faxina, manutenção e por ai vai.

Lembre-se de que todos são importantes para a casa funcionar. Faça elogios de forma igual e justa a todos que operam a casa. Demonstre seu reconhecimento de forma igual com todos que trabalham ali. Inclusive se lembre de que uma das partes mais importantes de um projeto como orfanato nem está ali: são os mantenedores financeiros que estão longe fisicamente, porém mais presentes do que nunca no dia a dia do projeto. Lembre-se de agradecer a Deus por esses também.

  1. Dê atenção a todas as crianças de maneira igual e respeite seu humor do dia.

Em orfanatos, sempre tem aquela criança mais bonitinha, gordinha, fofinha, lindinha, simpática, falante, estilosa ou com histórias mais chocantes que outras. De um lado, procure dar atenção a todas de maneira igual e não só para aquelas “mais mais”. Por outro lado, mesmo sendo justo ao distribuir seu amor e carinho, respeite o humor do dia da criança, não force a barra caso uma delas não queria conversar muito ou não esteja tão sorridente como você gostaria.

  1. Nunca pergunte sobre o passado das crianças.

NUNCA faça perguntas sobre o passado da criança ou de sua família. A cada vez que uma criança fala sobre isso, revive momentos de dor, por isso somente deve ser feito por pessoas bem preparadas e em momentos específicos. Deixe essa tarefa para a equipe, que está habilitada a lidar com esse assunto!

Siga essas dicas e sua visita a um orfanato poderá ser espetacular tanto para você, que ficará apenas alguns momentos ali, como para as crianças, que moram na casa, e a equipe, que trabalha diariamente.

Um orfanato precisa da ajuda, atenção e carinho de muitas pessoas, portanto, seu apoio é fundamental, envolva-se a longo prazo, mesmo estando longe!

Mas junte-se a ele da maneira que realmente pode ajudar e ser uma bênção para as crianças e para a equipe.

Ricco

Nosso encontro com Alexandra Loras, consulesa da França no Brasil

Sempre quando lemos a bíblia e nos deparamos com as empolgantes histórias dos personagens e heróis da fé, geralmente ficamos felizes pelas suas vitórias e também por não terem desistido nos momentos de adversidade. Porém, quando se trata de nossa história, que também está sendo escrita, e em alguns momentos há uma tendência de desanimarmos diante das dificuldades impostas pela vida.

Uma das histórias que Deus tem escrito é a de nosso orfanato na Bolívia, o Hogar Redención, onde o objetivo é acolher crianças que – pasmem – moram com o pai ou mãe no presídio. Bolívia é o único país do mundo, até onde sabemos, que permite crianças viverem presas (literalmente) com os pais. Nós começamos um orfanato para retirar crianças dos presídios para que tenham uma vida digna fora das grades, tenha a oportunidade de ouvir sobre Jesus e aguarde seu pai ou mãe sair do presídio e poder tê-lo novamente. Hoje mais de 3 mil crianças vivem nos presídios com os pais.

Ricco, Alexandra Loras e Farney

Recentemente, fomos convidados para falar sobre este projeto com a consulesa da França no Brasil, Alexandra Loras. Compartilhamos toda a jornada da EM e os motivadores que nos levaram a sermos caneta para que Deus escrevesse está linda história.

Sentado em uma bela sala de estar, à beira da piscina, ao lado do Ricco (fundador da EM) e Alexandra. Muitos sentimentos e pensamentos passaram em minha mente mas, o que ecoou com intensidade dentro do meu ser, foi constatar que sempre que iniciamos uma jornada, muitas vezes solitária (como foi o caso de Ricco e sua família), não temos a menor ideia da história que Deus escreverá (Isaias 55:9) e aonde ele nos levará. A Alexandra nos recebeu muito bem, ouviu com atenção a história de cada criança do orfanato, chorou algumas vezes. Ela se dispôs a ajudar e agora estamos trabalhando nisto.

O aprendizado que levo desta profunda experiência é que sempre devemos estar dispostos a abraçar o desconhecido, oferecido por Deus, sem medo e sem reservas. Sabendo que Ele nos conduzirá em triunfo para glória de seu nome. Amém!

Veja mais aqui sobre o orfanato aqui, e neste link uma lista de matérias, vídeos e reportagens com bastante informação sobre este problema das crianças nos presídios bolivianos.

Farney Franco
Presidente da Expedição Mochila

Futebol americano no orfanato na Bolívia

Um dia destes, no orfanato na Bolívia jogando, ou melhor, tentando jogar, futebol americano. Não sei se cumprimos todas as regras do jogo, mas com certeza nos divertimos muito!!!

Caso não veja o vídeo acima clique aqui

O Pebolim chegou no orfanato na Bolívia. Valeu!!!

pebolim-ok

O pebolim chegou e a criançada do orfanato na Bolívia está curtindo bastante o novo brinquedo. Muito obrigado a cada um que colaborou com a vaquinha para o pebolim. Esta semana enviaremos os desenhos exclusivos que as crianças do orfanato irão fazer para você colocar em um quadro, porta retrato ou até camiseta!


caso não veja o vídeo acima clique aqui

Vaquinha: Doe um Pebolim para as Crianças do Orfanato na Bolívia

Um-Pebolim-Orfanato-BoliviaA vaquinha do mês é conseguir o Pebolim de mesa para as crianças do orfanato. Eles adoram jogar pebolim e vamos fazer uma surpresa para eles.

Eu vi o Javier fazer um pebolim de papelão e pregador de roupa.

Depois eles ganharam um pebolim pequeno.

Agora vamos dar um Pebolim de Mesa, grande, de verdade, e vai ser surpresa!!!

Doe e colabore com a vaquinha http://www.em.org.br/doepebolim

Valeu, conto com vocês…

Ricco

O recomeço do Erlan e sua família

erlan2Erlan andando de bicicleta no orfanato

Erlan é um garoto esperto e muito inteligente, ele está conosco na Casa Lar da Bolívia por problemas em sua família. Ele sofria maus tratos e exploração do trabalho infantil dentro de casa. Por causa do sentimento de rejeição, ele decidiu se ocupar dos afazeres domésticos como lavar roupa, lavar louça, varrer o quintal e outras coisas. Na sua cabeça ele queria se sentir útil. Ele pensava de maneira bem prática: se não gostam de mim, vou fazer alguma coisa para começarem a ver que eu tenho valor e quem sabe começam a gostar de mim. Esta não é a maneira correta de ser amado pela família, mas ele é apenas uma criança querendo ser amada e foi por este caminho.

Quando a Defensoria de La Niñez (que é como o Conselho Tutelar no Brasil) enviou ele a nós ele era muito triste, chorava bastante e estava atrasadíssimo na escola com relação aos seus companheiros de classe. As coisas mudaram com as novas oportunidades na Casa Lar. Começamos a fazer um trabalho intenso de educação e tarefas escolares, ele melhorou muito tanto nas matérias como no comportamento. Ele também passou a frequentar a igreja e participar dos devocionais na Casa Lar. A principal lição que passamos a ele é sobre o perdão. Começamos também a visitar e aconselhar sua mãe.

O orfanato não é o melhor lugar para uma criança e deve ser a última opção antes de separá-la da família. Quando a criança chega aqui incluímos a família nas atividades. E assim foi com a mãe do Erlan, que começou a ser visitada e algo começou a acontecer. Conversando ela topou receber o Erlan por um dia na semana, ele vai pra casa de Sexta a Sábado.

erlan1Erlan recebendo atendimento médico no próprio orfanato

Percebemos que o relacionamento de filho e mãe melhorou, eles se abraçam e beijam, coisa que não faziam antes. A mãe começou a se interessar pelo desempenho do filho na escola e tem demonstrado mudança com relação aos maus tratos e os trabalhos domésticos. A Bíblia diz que devemos cuidar do órfão e da viúva, eu não creio que isto signifique apenas separar a criança de sua família e levá-la a um orfanato. Cuidar para que filhos e pais fiquem juntos é mais difícil do que trazê-las para o abrigo, mas é o trabalho correto.

Ore pelo Erlan e por sua mãe e padrasto, que Deus reconstruir está família e ajude cada um a entender seu papel e se esforçar para cumpri-lo bem. Nossa tarefa é buscar novas oportunidades para o Erlan e trabalhar para que ele tenha um futuro brilhante. Obrigado por que você que ora e doa está ajudando a construir esta nova família do Erlan aqui na Bolívia.

Ricco

*Este post é o complemento de nossa carta de Novembro de 2013, se você ainda não recebe nossa comunicação impressa, cadastre-se aqui como mantenedor.