Ministério e coisa séria

Um professor meu no seminário tinha um bordão interessante. Ele dizia: “ministério é coisa séria”. Parece algo tão simples, mas nem sempre tem sido simples na prática. Muitas vezes tenho notado pessoas divididas no ministério, tentando equilibrar alguma carreira e o serviço ministerial. Na prática, o que tenho percebido, é que o serviço ministerial fica relegado a um segundo plano. O que podemos aprender com a experiência de Eliseu, por exemplo? Quando este foi “vocacionado” deixou tudo para trás de uma maneira definitiva.

Então Elias saiu de lá e encontrou Eliseu, filho de Safate. Ele estava arando com doze parelhas de bois, e estava conduzindo a décima-segunda parelha. Elias o alcançou e lançou a sua capa sobre ele. Eliseu deixou os bois e correu atrás de Elias. “Deixa-me dar um beijo de despedida em meu pai e minha mãe”, disse, “e então irei contigo. “Vá e volte”, respondeu Elias, “pelo que lhe fiz. ” 21 E Eliseu voltou, apanhou a sua parelha de bois e os matou. Queimou o equipamento de arar para cozinhar a carne e a deu ao povo, e eles comeram. Depois partiu com Elias, e se tornou o seu auxiliar. (1Rs 19.19-21)

Talvez ao longo da “carreira profética” Eliseu pensou que poderia fazer um “bico” na época da plantação, somente para levantar recursos para o seu ministério, porém ele já não mais tinha as ferramentas necessárias. Eliseu precisou aprender que o necessário era muito pouco (2Rs 4.10) e que o ministério era tão sério que não permite divisão de atenção.
Ministério é coisa séria, é uma excelente obra. Quem ingressa por esse caminho não pode e não deve ficar olhando atrás.

Samuel

Liberdade

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E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (João 8.32)

Não sei contar quantas vezes ouvi a expressão: “agora que sou cristão, sou livre”, ou algo parecido com isso. Essa afirmação é quase verdadeira e se olharmos para o texto de João acima podemos até ficar convencidos. Porém, o que e de que está incluído nessa tal liberdade?

Quando ouço pessoas falando sobre liberdade cristã, basicamente estão afirmando que o cristianismo não está relacionado a regras, a padrões. Novamente eu afirmo, isso está quase certo (Romanos 7.6), mas não significa que não existe uma maneira correta do cristão viver. Não podemos, por outro lado, pender para a libertinagem.

O que eu tenho visto na prática cristã de muitos indivíduos e de muitas igrejas é a predominância das opiniões próprias, o famoso “achismo”. Isso também não tem nenhuma ligação com o ensino neo-testamentário sobre a vida cristã. O fato de que a verdade nos liberta do pecado não implica em falta de parâmetros.
Romanos 6.16-18 é um ótimo referencial e incentivo para vivermos a vida cristã do único jeito possível, do jeito de Cristo:

Não sabem que, quando vocês se oferecem a alguém para lhe obedecer como es-cravos, tornam-se escravos daquele a quem obedecem: escravos do pecado que leva à morte, ou da obediência que leva à justiça?
Mas, graças a Deus, porque, embora vocês tenham sido escravos do pecado, pas-saram a obedecer de coração à forma de ensino que lhes foi transmitida. Vocês foram liber-tados do pecado e tornaram-se escravos da justiça.

Liberdade sim, mas liberdade do pecado, da escravidão do pecado. Mas ainda assim servos, mas agora servos de Deus para praticar as obras de justiça.

Samuel

Ser ou ter: eis a questão

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Hoje em dia o que mais se ouve nas igrejas é que devemos ter bênçãos. A teologia da prosperidade propagou a ideia de que sua espiritualidade deve ser medida pelo seu sucesso financeiro e material. Ter bênçãos materiais é a prova de que você é um cristão piedoso e caminha muito próximo ao Mestre.

Tenho muita dificuldade de crer assim e não consigo encontrar embasamento bíblico para um pensamento desse modo. Neste espaço reduzido não temos o propósito de fazer um estudo exaustivo sobre o assunto, mas creio que será útil olharmos para apenas um texto e tirar dele duas lições específicas.

Gênesis 12.1-2, diz: Ora, disse o Senhor a Abrão: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma benção! (…)

Neste texto podemos ver que Deus declara para seu servo que a medida da sua espiritualidade seria o quanto ele abençoaria outros. Isso até traria benefícios a Abrão, mas por outro lado exigiria dele algumas atitudes.

1. Quem quer ser uma bênção precisa estar disposto a deixar a zona de conforto
Pode ser que Deus nunca peça para que você saia do seu país ou seja um missionário. Mas para sermos bênção, certamente teremos que abrir mão de coisas. Isso pode incluir algum conforto, seu tempo, momentos de lazer. Você terá que deixar o eu de lado para se envolver com o outro.

2. Ser uma bênção vem antes dos benefícios
Se você conhece um pouco da história de Abrão (se não conhece seria bom ler a respeito), verá que das três promessas feitas por Deus ao seu servo, duas ele não viu ser integralmente cumprida. Abrão morreu com uma família pouco extensa e não tinha um nome ainda famoso, se compararmos com o que veio a ser hoje sua descendência e seu nome (importante para as três grandes religiões monoteístas do mundo). Isso nos ensina que devemos ter paciência e que precisamos compreender que as respostas nem sempre serão como imaginamos.

Então? Você está preparado para ser uma bênção, sabendo que esta é a atitude correta de quem já tem uma grande benção, a vida eterna?

O que tem ocupado mais o seu pensamento e seus esforços na vida cristã: ser ou ter uma bênção? Medite nessa palavra e hoje mesmo passe a abençoar mais os outros e deixe Deus se preocupar em como e quando te abençoar.

Samuel

Autossuficiência ou Dependência?

bono

Paul David Hewson é o verdadeiro nome do homem conhecido como Bono Vox, o vocalista e líder da banda irlandesa U2. Aos 53 anos de idade ele deve ser uma das personalidades mais conhecidas em todo mundo. Em parte por seu sucesso como músico (é o segundo mais rico do mundo, já vendeu mais de 150 milhões de discos e ganhou mais de 20 prêmios Grammy), mas também por seu engajamento social.

A preocupação social de Bono Vox rendeu ao irlandês outros títulos importantes, tais como: cavaleiro honorário da coroa inglesa, personalidade do ano pela revista Time, a medalha de Comandante da Ordem das Artes e Letras (mais alta condecoração cultural da França), além de ter sido indicado ao Nobel da Paz por três vezes.

Porém, todo seu reconhecimento, influência e fortuna não o impediu de dizer: “some-times you can’t make it on your own” (algo como: às vezes você não pode fazer por você mesmo). Essa frase é o título e refrão de uma música do álbum lançado em 2004 e foi composta em homenagem ao seu pai que morrera de câncer em 2001. Essa frase é realmente interessante. Pois apesar de parecer um sinal de fraqueza, demonstra muito o pensamento autossuficiente em que vivemos. Pensamos que temos controle de tudo, ainda que possamos até admitir que de vez em quando as coisas possam sair do nosso controle.

Na verdade a Bíblia nos ensina em Tiago 4.13-15 que nós podemos até planejar, mas os planos só se concretizarão se Deus permitir. Não podemos achar que na maioria das vezes podemos fazer tudo do nosso jeito, nem às vezes podemos fazer do nosso jeito. Nossos dias estão contados diante de Deus (Jó 14.1-5), o que precisamos aprender é aproveitar cada um deles para a honra e glória do Criador (Salmo 90.12 e Efésios 5.16).

Tenha consciência que só Deus pode sempre fazer por ele mesmo! Então, vivamos a dependência no lugar da autossuficiência.

Samuel

Grande comissão ou grande omissão?

Diante do desafio que Cristo nos deu em Mateus 28.18-20 uma pergunta me vem a mente: você quer ser participante da grande comissão ou da grande omissão? Talvez a nossa resposta estará baseada no que compreendemos desta responsabilidade que nos foi dada.

Para que fique mais claro, quatro pontos devem estar bem definidos.

1. A autoridade da nossa missão
No versículo 18 vemos que o Mestre inicia seu discurso demonstrando de onde procedia a autoridade para a ordem que seria dada. A autoridade de Cristo está tanto sobre os seres espirituais (anjos e demônios) quanto sobre os governantes temporais (autoridades terrenas instituídas). Ainda mais, está sobre os que se chamam seus servos, os cristãos. Diante de tal autoridade não há espaço para argumentações e racionalizações, somente há espaço para obediência.

2. O âmbito da nossa missão
No início do verso 19 Jesus vai delimitar o âmbito de nossa missão e este não é realmente muito limitado. Devemos fazer discípulos de todas as nações. Nesse sentido não podemos nos limitar as centenas de nações independentes atualmente reconhecidas pela ONU (o que já seria um grande desafio), mas temos que entender que Cristo declarou que o âmbito são todas as etnias, o que aumenta o nosso escopo de centenas para milhares, pois temos que considerar todas as línguas distintas, todas as culturas distintas e todos os grupos étnicos distintos. A missão realmente é enorme.

3. A atitude da nossa missão
Depois então vemos qual deve ser nossa atitude. Como igreja nossa atitude deve ser diferente da que teve Israel. Não devemos reproduzir uma determinada cultura, mas temos que entender que o cumprimento da nossa missão é supra cultural. Discipular significa tornar alguém submisso à disciplina. Discipular significa motivar à identificação com o Deus trino. Discipular significa promover obediência sem reservas. Algumas dessas atitudes respeitam as diversas culturas étnicas, outras exigem obediência exclusiva à cultura do Reino.

4. O amparo da nossa missão
Para concluir, a segunda parte do verso 20 nos consola. Se você tem sido cristão (não importa a quanto tempo) certamente você já experimentou esse “estarei convosco” na sua vida. Se olharmos sinceramente para a história e percebermos como o trabalho de missões e como a história da igreja foi preservada ao longo das eras, facilmente veremos a mão soberana de Deus agindo. Além disso, podemos ter a confiança de que este amparo só acabará com a vinda daquele que prometeu estar ao nosso lado.

Reconheço que é difícil o âmbito e a atitude da nossa missão. São humanamente impossíveis. Mas sabedores da autoridade do enviador e da qualidade do amparo que temos, não podemos esmorecer em cumprir nosso trabalho. É uma honra para o gênero humano poder ser parte dos planos de Deus.

E então? Você será parte desta grande comissão ou se esconderá vivendo a grande omissão?

Samuel

P.S.: Texto baseado em sermão do Dr. Carlos Osvaldo Cardoso Pinto